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Sarah Fernandes - Portal Aprendiz

Em 40 anos, a previdência social praticamente
zerou a proporção de pobres entre a população com 65 anos ou mais. Isso
porque o total de idosos que recebem aposentadoria aumentou 23,5% entre
1978 e 2008, segundo um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea), divulgado na última quinta-feira (22/7).
O número de idosos que viviam com até um quarto de salário mínimo caiu
de 14,04% em 1978 para 1,21% em 2008, segundo a pesquisa intitulada “Previdência e Assistência Social:
Efeitos no Rendimento Familiar e sua Dimensão nos Estados”. No
mesmo período, o número de beneficiários nessa faixa etária passou de
72,9% para 97,6%. “Sem esse avanço, os idosos dependeriam de programas de solidariedade ou
seriam sustentados pelos familiares”, avalia o coordenador do estudo,
Jorge Abraão. “Com a aposentadoria eles podem continuar sendo
consumidores. Em muitos locais a única renda fixa é a aposentadoria”. A pesquisa calcula que se a previdência, o programa Bolsa Família e o
Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC) deixassem
de existir a proporção de idosos que viveriam com um quarto de salário,
considerados pobres, saltaria de 1,21% para 50,55% em 2008. “Sem a
aposentadoria quase todos os idosos iriam para a pobreza”, diz Abraão. A manutenção do benefício foi apontada como prioridade nas políticas
para o idoso na segunda Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa
Idosa, que aconteceu entre 18 e 20 de março de 2009, em Brasília (DF).
“Qualquer reforma na previdência não pode por em risco o benefício”,
avalia o presidente do Conselho Nacional dos Direitos do Idoso, José
Telles. “O avanço da previdência se deu principalmente na área rural, onde a
economia foi aquecida em função do dinheiro das aposentadorias. A
situação do Brasil é melhor que em outros países da América Latina”,
conta. “O salário permite que o indivíduo tenha acesso a bens e serviços
que ele não tinha”. Porém o Conselho alerta que apenas a previdência não é suficiente para
garantir dos direitos do idoso. “A economia precisa ser sustentável, de
forma que os jovens possam ter empregos sem depender dos mais velhos”,
avalia Telles. “É preciso garantir espaços de lazer e cultura na
comunidade, para que os idosos construam novos hábitos sociais”. Entre as prioridades para a população com 65 anos ou mais está a
erradicação do analfabetismo, ampliação dos espaços de educação para os
idosos, atendimento médico domiciliar e garantia de transporte público
gratuito e seguro.
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