27/7/2010
De acordo com especialistas, a maioria dos casos é cometida por
mães usuárias de drogas
Engana-se quem pensa que o consumo
de drogas afeta somente o usuário ou aqueles que estão ao seu redor. A
situação atual é tão extrema, que até aqueles que acabaram de nascer são
prejudicados. Afinal, como apontam os especialistas, a principal causa
de abandono de bebês atualmente é a drogadição. Para se ter uma ideia,
427 crianças, até 12 anos de idade, estão vivendo em abrigos públicos ou
conveniados ao Estado ou Município.
A situação, na maioria
desses espaços, é de superlotação. Um exemplo é o Abrigo Tia Júlia, que
recebe crianças de até 7 anos. Lá, são 75 vagas disponíveis, mas, hoje,
residem 81 crianças que esperam por uma adoção ou pela reabilitação de
pais ou mães que vivem no mundo das drogas.
"Antigamente, essa
realidade era mais frequente, da mãe querer dar o bebê por não ter
condições financeiras de criá-lo, mas, hoje, estamos vendo mais a
questão das drogas", afirma a coordenadora do Serviço Social da
Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (Meac), Cristina Ferreira. De
acordo com ela, o hospital recebe, pelo menos, uma gestante por semana
com esse perfil. Muitas, adolescentes. Conforme Cristina, em média, seis
bebês são abandonados, por ano, na unidade.
Segundo a diretora
do Tia Júlia, Luíza Helena dos Santos Paiva, as crianças que chegam à
unidade são abandonadas e negligenciadas pelos pais. Conforme ela, em
sua maioria, são deixadas em hospitais, calçadas, ruas, terminais de
ônibus ou sozinhas, em casa. "Após o parto, é comum o abandono dos
bebês. Ou a mãe interna a criança no hospital por motivo de doença e não
volta mais", descreve as situações mais comuns.
De acordo com
Valdelice de Brito Qualiguaci, assistente social do Tia Júlia, das 81
crianças que moram na unidade, 29 foram encaminhadas porque viviam em
situação de risco, 27 delas por negligência familiar e 25 por abandono.
Valdelice
cita o caso mais recente, de uma menina, encontrada em 26 de junho
passado, ainda com o cordão umbilical, num terreno baldio na Granja
Portugal. "Ela tinha apenas um nome, que lhe foi dado pela diarista que a
encontrou".
SUPERLOTAÇÃO
Multiplicar e
regionalizar unidades são soluções
A assessora técnica
da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS), Rita de
Cássia, explica que um dos motivos da superlotação dos abrigos é a
crescente demanda vinda do Interior do Estado. Segundo ela, as dez
unidades do Interior voltadas para abrigar adolescentes não absorvem a
demanda.
Ela ressalta que o problema ainda não têm solução a
curto prazo, mas acredita que a melhor proposta seria regionalizar as
instituições e construir mais cinco casas abrigos na Capital e Interior
do Estado.
Vínculos familiares
Ainda de
acordo com Rita de Cássia, a necessidade da existência de abrigos
municipais vem para evitar cortar completamente os vínculos familiares.
"Se a criança ou o adolescente ainda tem família, mas por algum motivo
não pode permanecer no seio dela, o trabalho de ressocialização deve ser
realizado em conjunto e não a distância. Ela ou ele permanecendo no
município, a situação seria bem diferente", diz.
KARLA
CAMILA REPÓRTER
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