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Qua, 29 de Julho de 2009 15:51 |
O aborto é legal no Brasil apenas nos casos de estupro ou risco para a vida da gestante, mas você pode fazer um aborto ilegal facilmente - e mais de um milhão de garotas e mulheres o fazem todos os anos. Se você for rica/o, pode fazer uma ligação telefônica e ir para uma clínica limpa e agradável. Se você for pobre, você gasta o salário do mês numa pílula chamada Cytotec - um remédio para úlcera que funciona como abortivo - e ter esperança em Deus que o sangramento pare em um dia ou dois. Se não parar, não é um crime ir a um hospital.
Entretanto será, se o Vaticano estiver no caminho, diz Dulce Xavier, de Católicas pelo Direito de Decidir Há um projeto de lei agora no Congresso brasileiro que visa criminalizar a compra e venda de Cytotec, bem como acompanhar todas as gestações. Se se descobrir que uma mulher grávida não deu à luz uma criança, ela poderia, por essa lei, ser processada.
O projeto de lei tem inimigos o suficiente para não ser aprovada, mas o Presidente Lula, numa atitude populista, assinou a lei, o que mostra onde o Vaticano chegou nos últimos vinte anos no Brasil.
Os seguidores da Teologia da Libertação, que conectam a Igreja diretamente à realidade da vida dos pobres, estão afastados das ruas e dos púlpitos. No lugar deles estão homens como o Arcebispo de Recife, que excomungou todas as pessoas envolvidas no aborto feito em uma menina de nove anos, qua havia sido vítima de estupro e estava grávida de gêmeos, uma gestação que poderia matá-la.
"As pessoas protestaram por causa disso e ele teve de recuar", disse Beatriz Galli , do Inaps, um grupo de advocacy por direitos reprodutivos. Ela salientou que a doutrina da Igreja não é seguida pela maioria dos/as brasileiros/as. Embora 75% se declarem católicos/as, 68% usam controle de natalidade e preservativos estão por toda parte. A Igreja proíbe ambos.
Mas sua pregação ainda tem um custo. "O que nós vemos agora", diz Galli, "são vítimas de estupro muito jovens mantendo a gravidez até o fim 'espontaneamente'. Os padres aplaudem, mas o que acontece um ano depois com com uma indigente de doze anos com uma criança?"
As ruas estão cheias delas, mas a Igreja não está nas ruas atualmente.
Texto da jornalista Victoria Shorr
Tradução livre: Valéria Melki Busin
fonte: carolicasonline.org.br
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